Coragem – Por que devemos ensinar as garotas a serem ousadas?

Coragem. 

Essa noite perdi o sono como de costume…Como de costume procurei uma palestra TED que me interessasse e comecei a assistir. As palestras TED me proporcionam diferentes tipos de emoções, me inspiram, me emocionam, me trazem confiança, me dão uma estranha sensação de “Eu posso”, e eu particularmente amo essa sensação.

Foi então que dessa vez, escolhi a palestra da Reshma Saujani para assistir. O título me chamava a atenção “Teach girls bravery, not perfection”, em tradução livre para o português ficaria mais ou menos assim “Ensine as garotas coragem/ousadia, não perfeição”.

A cada momento eu ficava mais interessada no que a palestrante tinha a dizer, ela falava sobre como os homens e as mulheres foram criados e como isso tem um impacto muito grande em suas carreiras, em suas vidas pessoais e em um contexto geral, no mundo.

A palestrante reforça durante todo o tempo que o homem foi criado para ser corajoso, para fazer alguma coisa…A correr risco, tentar, falhar e tentar de novo…Enquanto a mulher – a maioria – foi criada para ser “perfeita”.

Reshma Saujani disse ainda que em 1980, uma psicóloga chamada Carol Dweck começou a perceber como crianças lidavam com uma tarefa que era muito difícil para elas, ela descobriu que garotas desistiam rápido. Quanto maior fosse o QI, mais elas estavam propensas a desistir… Já os garotos, viam na dificuldade um desafio…Eles estavam mais propensos a dobrar os seus esforços…Então, o que está acontecendo?

As garotas, no mesmo nível de estudo, se saiam melhores que os garotos em alguns assuntos, incluindo matemática e ciência, então…Isso não é uma questão de habilidade, é a diferença em como garotos e garotas enfrentam um desafio. E isso não termina na quinta série…Um relatório mostra que os homens irão se inscrever para empregos se eles conhecerem pelo menos 60% das qualificações que são requeridas, enquanto as mulheres se inscreverão para um trabalho só se elas tiverem 100% de conhecimento sobre as qualificações requeridas.

O estudo diz que mulheres então precisam de mais confiança, mas Reshma Saujani entende que isso significa que mulheres foram criadas para buscar a perfeição e por esse motivo elas são mais cautelosas.

Em 2012, Reshma Saujani abriu uma empresa que ensinava garotas a programar e ela descobriu que ensinando garotas a programar, ela estava também ensinando elas a terem coragem. Pois, programar é um processo sem fim de tentativas, erros e acertos…Tentando escrever o comando certo, no lugar certo e as vezes apenas um ponto e vírgula pode fazer uma grande diferença entre sucesso e fracasso. Código quebra, estraga…E leva muitas tentativas antes do momento mágico em que o que você está tentando construir tenha vida…Isso exige perseverança, exige imperfeição e eles vêem o medo das garotas em não conseguir, de não serem perfeitas.

A mesma palestrante citou uma história de dois jovens no geral – um homem e uma mulher – que estudavam na mesma sala  e estavam aprendendo programação. A reação do jovem homem quando não conseguia resolver um exercício, era chamar o professor, mostrar suas tentativas no editor de texto qualquer e falar “Professor, tem algo de errado com meu código”, enquanto a reação da mulher era chamar o professor, antes é claro, de ter apagado suas inúmeras tentativas, mostrar um editor de texto vazio – porque invés de mostrar o seu progresso, ela prefere não mostrar nada, pois isso seria considerado como fracasso – para o professor e então dizer “Professor, tem algo de errado comigo”.

Percebe a diferença? É cultural, é como  foi ensinado…É a criação! Temos que mudar isso!

Ela continua com o brilho nos olhos dizendo que quando nós ensinamos garotas a serem corajosas e nós temos uma rede de apoio animando-as, elas vão construir coisas incríveis e ela vê isso todos os dias…

Como por exemplo: Duas estudantes do ensino médio, elas construíram um jogo chamado Tampon Run (corrida de absorvente) para lutar contra o tabu da menstruação e sexismo ou a refugiada que ousou em mostrar seu amor pelo seu novo país construindo um aplicativo para ajudar americanos […], ou uma garota de 16 anos que escreveu um algoritmo para ajudar a detectar se um câncer é benigno ou maligno…Esses são apenas três exemplos de milhares de garotas que foram criadas para serem imperfeitas, que aprenderam a continuar tentando, que aprenderam a ter perseverança, e independente se elas se tornam programadoras ou a nova Beyonce elas não irão se divergir de seus sonhos.

Esses sonhos que vão ajudar o país a crescer, portanto nós não podemos deixar para trás essa parte da população…Nós temos que criar nossas garotas para estarem confortáveis com a imperfeição e nós temos que fazer isso agora!  Nós não podemos esperar para que elas aprendam a serem corajosas como a palestrante disse que foi apenas aos 33 anos… E como eu sinto que sou agora na minha segunda faculdade, aos 24 anos. Sinto que sou muito mais corajosa agora do que há um tempo atrás…Eu me forcei a ser assim porque eu não aceitava que eu fosse de outro jeito.

Para quê esperarmos as garotas tomarem atitudes de ser quem elas nasceram para ser quando podemos ensiná-las desde pequenas que assim como qualquer outra pessoa, elas tem o poder de ser quem elas quiserem.

Você pode acessar o vídeo abaixo: